sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Ilustres Louletanos IV




Cândido Guerreiro (1872-1953)


Francisco Xavier Cândido Guerreiro nasceu em Alte, concelho de Loulé, em 1872. Depois de frequentar o Liceu e o Seminário experimentou diversos empregos revelando desde cedo alguma inquietação e pouca tendência para o sacerdócio. Em Loulé, foi redactor do semanário "O Algarvio". Uma vez em Beja dirigiu a Casa Pia. Mais tarde encontra-se como Fiscal de Impostos em Faro, tinha então trinta anos, quando é aconselhado pelo poeta João Lúcio, natural de Olhão, a cursar Direito. Aceita este conselho, termina o Liceu e cinco anos depois é formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Uma vez regressado à sua terra natal é recebido com grande alarido pelos conterrâneos pois fora o primeiro Altense a formar-se. Tenta advocacia em Loulé mas não se sente satisfeito pelo que começa a exercer funções de notário enquanto a sua fama como poeta amargurado e filósofo se consolida a nível nacional. Republicano aguerrido até à altura da sua morte, será Administrador do Concelho de Loulé entre 1912 e 1918, altura em que a vila conhece grandes progressos, entre os quais a introdução da luz eléctrica. Em 1923 vai residir em Faro onde exerce notariado. Além da poesia, Cândido Guerreiro tentará igualmente destacar-se no teatro compondo o "Auto de Santa Maria", peça publicada pela comissão dos Centenários. O grande poeta Cândido Guerreiro viria a falecer em Lisboa no ano de 1953.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Ilustres Louletanos III



Pedro de Freitas (1894-1987)

Pedro de Freitas nasceu em Loulé, no Largo do Carmo, em 1894. Louletano, autodidacta e escritor popular, chegou a ser apelidado de "Embaixador de Loulé", dado o seu esforço para manter vivas as tradições e feitos desta vila, hoje cidade. O primeiro contacto de Pedro de Freitas com a música, onde se destacaria maioritariamente, deu-se em 1902. Em 1903 foi viver para Faro e em 1904 para Olhão, completando a instrução primária numa e noutra localidade. Mais tarde regressa a Loulé onde se emprega como caixeiro de uma mercearia, continuando em simultâneo a aprendizagem da música na Sociedade "Artistas de Minerva". Em 1916 era ferroviário, guarda-freio dos comboios e no ano seguinte parte para a guerra, em França. Aí narra um dos episódios de guerra numa carta que alguns meses mais tarde acaba por ser publicada num jornal. A partir daí, Pedro de Freitas nunca mais deixou de escrever. Em 1926, regressado a Portugal, entra na luta pró Variante do Caminho de Ferro para Loulé, mantendo-se acerrimamente na mesma até 1946. Aquela que Pedro de Freitas descreve como a sua "maior proeza bairrista" foi, no entanto, a grande luta que travou para trazer a Loulé o Batalhão de guerra a que pertencia, o Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-ferro, comandado pelo General Raul Esteves. Conseguiu este feito e assim honrou Loulé. A visita do Batalhão e a Festa da Mãe Soberana fizeram convergir a esta cidade milhares de pessoas. Enquanto soldado do referido Batalhão, Pedro de Freitas foi construindo uma espécie de diário que deu corpo ao seu primeiro livro intitulado "As minhas recordações da Grande Guerra". Mais tarde, em 1950, com o livro "História da Música Popular em Portugal", alcançou grande sucesso mesmo em termos internacionais. Esta última obra é também dedicada pelo autor a Loulé. Em 1961, Pedro de Freitas recebe o convite do Senhor Governador Geral da Índia Portuguesa, General Vassalo Silva, para o visitar e escrever um livro. Pedro de Freitas visita então Goa, Damão e Diu e através do que observou escreveu a obra "Eu Fui à Índia". Neste mesmo ano, enquanto membro da Comissão Cultural da "Casa do "Algarve", em Lisboa, cargo que ocuparia durante dez anos, Pedro de Freitas deslocou-se à histórica aldeia de Alvor para defender a ideia da criação da Casa - Museu do Rei D. João II. Durante a sua vida activa Pedro de Freitas escreveu quinze livros, sendo um dos mais importantes "Quadros de Loulé Antigo", monografia da sua terra natal que conheceu diversas edições sendo a primeira de 1964. Pedro de Freitas faleceu no Barreiro em 1987 com 93 anos.